quinta-feira, 17 de maio de 2007

Que estou fazendo se sou cristão?

Dias atrás, teclando com amigos num grupo de discussões, afirmei que o cristão deveria falar menos, ensinar menos (no sentido de transmitir valores através da palavra) e praticar (amar) mais. A minha fala ganhou apoio de um dos meus amigos e a discussão foi encerrada. Não para mim! Continuei matutando sobre o assunto... Dias depois o introduzi no culto doméstico semanal que celebro às quartas-feiras com minha esposa. Refletimos sobre o assunto à luz de Tiago 1.19-27:

"Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar [...] Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganado-vos a vós mesmos [...] A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo"
.

A religião verdadeira, portanto, segundo o apóstolo Tiago, consiste em visitar e guardar-se, ou seja, a ênfase está em fazer a coisa certa (ortopraxia) e não em crer nas coisas certas (ortodoxia). Disse ênfase porque só pratica a coisa certa quem crê nas coisas certas (com a mente ou coração, de forma racional ou intuitiva).

Nesse sentido, a religião falsa não seria a religião não-cristã (hinduísmo, budismo, Islã etc.), mas a religião não-praticante. Não que as religiões mencionadas sejam verdadeiras, como o cristiansimo nominal muitas vezes não o é. Entretanto, surge a indagação: um adepto de uma religião não-cristã ou mesmo uma pessoa sem religião que pratica a caridade e procura guardar-se do mal estaria praticando a verdadeira religião?

Seja qual for a resposta resolvi praticar mais e falar menos. Cheguei à conclusão de que, muitas vezes, por trás da afirmação da máxima cristã "devemos falar menos e praticar mais" esconde-se o pecado do orgulho e da omissão. Do orgulho, porque nos julgamos a nós mesmos praticantes da Palavra e a nossos interlocutores, ou a massa dos cristãos, não praticantes; e da omissão, porque aplacamos a nossa culpa repetindo, sem nenhum compromisso da vontade, a velha ladainha.

"Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando" (Tiago 4.17). Creio que eu sei o que devo fazer: amar ao próximo. Mas, resolvi, pela primeira vez, colocar isso em prática de maneira decisiva. Como posso amar ao próximo? Pedi sugestões a minha esposa (e peço aos leitores deste post) de como colocar em prática os ensinamentos de Jesus. Pensamos, então, em visitar os órfãos da falecida mencionada em meu primeiro post. Afinal, "a religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é [...] visitar os órfãos...". Se você tem outra sugestão concreta, objetiva, de como eu e você podemos praticar a verdadeira religião publique um comentário e mãos à obra.

"Que estou fazendo se sou cristão?", indaga o famoso hino cristão. Qual a resposta, segundo seu autor, para a fome, a pobreza, o analfabetismo e outros males que afligem nosso país? "Aos poderosos eu vou pregar, aos homens ricos vou proclamar que a injustiça é contra Deus e a vil miséria insulta os céus" (HCC 552).

O hino diz que "há criancinhas que vão morrer, há tantos velhos a padecer..." e nós devemos pregar e proclamar? Sejamos pregadores da justiça e proclamadores da verdade, sim, mas antes de tudo, façamos alguma coisa pelo próximo. Pelo amor de Deus!

7 comentários:

Anônimo disse...

Daniel meu caro Amigo,

Não preciso nem dizer o que penso sobre tudo isso. Apenas repito: Eis ai o essencial. Li uma frase esses dias: "Onde estão a Caridade e o Amor, Deus aí está" Sei lá, talvez seja mesmo.

Proponho que fundemos uma nova religião, nada de Budismos, Judaísmos, Islamismos, Hinduísmos ou Cristianismos, sigamos o caminho do Praticantismo...hehe. Falar de Amor é fácil, Importa Vivê-lo.

Obrigado por sempre demonstrá-lo por mim, dividindo sua casa, suas roupas, seu dinheiro, sua comida e seu tempo (entre outras muitas coisas..rs). Apesar de sermos "Os Divergentes".

Que Deus tenha misericórdia de nós, e que minhas e suas palavras, não tenham fim em si mesmas, mas que encarnem em gestos de Amor ao percorrermos nossos caminhos.

Abs,
do Amigo
ps: Esse Tiago é o apóstolo mesmo ou o irmão do Senhor que aparece em Mc 6.3 e depois em Atos 15 dirigindo a igreja de Jerusálem? Fiquei na dúvida.

MEET US disse...

Daniel,

Obrigada pela visita. Também já estive aqui em sua "posta", mas permaneci silente... Agora me animei!

Como já dizia Santo Agostinho: "Ama e faz o que queres".

Ah, quem dera pudéssemos perceber o amor em todas as suas dimensões e vivê-lo como respiramos, sem precisar planejar, programar e decidir! Só mesmo recorrendo ao Amor maior para que não nos permita a falta de ar, para que nos ensine sempre a amar e praticar o amor como ele deve ser praticado, em TODAS as circunstâncias e em cada instante de nossas vidas. Fora isso, tudo me parece pouco, muito pouco...

Beijos!

Daniel Feitoza e Silva disse...

Caro amigo,

Como é bom retomar os debates com você. Parece que a distância geográfica reduziu o abismo entre nossas convicções teológicas rsrsrs.
Quanto à autoria da carta, a minha opinião é a de que se trata da mesma pessoa. Paulo, diz que quando subiu à Jerusalém não viu outro dos apóstolos senão Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.18). Trata-se, portanto, do mesmo Tiago de Marcos 6.3 e Atos 15.
Não confundir com o Tiago irmão de João, que foi morto por Herodes nos primórdios do cristianismo, antes do concílio de Jerusalém (At 11.1).

Deus tenha misericórdia de nós.
Abraços...

Anônimo disse...

Espero que as divergências permaneçam. Preciso provar minha tese..hehe

Felipe Fanuel disse...

Importantíssima preocupação, Daniel! Esse é um dos meus hinos favoritos.

Felipe Fanuel disse...

Acho que estou conhecendo aqui um lado seu que desconhecia.

Anônimo disse...

oque muitos estão fazendo é se entrometendo na vida dos outros desrespeitando o livre harbitrio.
religiões só geram guerras,seguir os ensinos de jesus é outra coisa.