"Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar [...] Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganado-vos a vós mesmos [...] A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo".
A religião verdadeira, portanto, segundo o apóstolo Tiago, consiste em visitar e guardar-se, ou seja, a ênfase está em fazer a coisa certa (ortopraxia) e não em crer nas coisas certas (ortodoxia). Disse ênfase porque só pratica a coisa certa quem crê nas coisas certas (com a mente ou coração, de forma racional ou intuitiva).
Nesse sentido, a religião falsa não seria a religião não-cristã (hinduísmo, budismo, Islã etc.), mas a religião não-praticante. Não que as religiões mencionadas sejam verdadeiras, como o cristiansimo nominal muitas vezes não o é. Entretanto, surge a indagação: um adepto de uma religião não-cristã ou mesmo uma pessoa sem religião que pratica a caridade e procura guardar-se do mal estaria praticando a verdadeira religião?
Seja qual for a resposta resolvi praticar mais e falar menos. Cheguei à conclusão de que, muitas vezes, por trás da afirmação da máxima cristã "devemos falar menos e praticar mais" esconde-se o pecado do orgulho e da omissão. Do orgulho, porque nos julgamos a nós mesmos praticantes da Palavra e a nossos interlocutores, ou a massa dos cristãos, não praticantes; e da omissão, porque aplacamos a nossa culpa repetindo, sem nenhum compromisso da vontade, a velha ladainha.
"Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando" (Tiago 4.17). Creio que eu sei o que devo fazer: amar ao próximo. Mas, resolvi, pela primeira vez, colocar isso em prática de maneira decisiva. Como posso amar ao próximo? Pedi sugestões a minha esposa (e peço aos leitores deste post) de como colocar em prática os ensinamentos de Jesus. Pensamos, então, em visitar os órfãos da falecida mencionada em meu primeiro post. Afinal, "a religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é [...] visitar os órfãos...". Se você tem outra sugestão concreta, objetiva, de como eu e você podemos praticar a verdadeira religião publique um comentário e mãos à obra.
"Que estou fazendo se sou cristão?", indaga o famoso hino cristão. Qual a resposta, segundo seu autor, para a fome, a pobreza, o analfabetismo e outros males que afligem nosso país? "Aos poderosos eu vou pregar, aos homens ricos vou proclamar que a injustiça é contra Deus e a vil miséria insulta os céus" (HCC 552).
O hino diz que "há criancinhas que vão morrer, há tantos velhos a padecer..." e nós devemos pregar e proclamar? Sejamos pregadores da justiça e proclamadores da verdade, sim, mas antes de tudo, façamos alguma coisa pelo próximo. Pelo amor de Deus!




