segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Quisera eu, Senhor

“Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia” (Salmo 119:97).

Quisera eu, Senhor, poder dizer de toda a minha alma estas benditas palavras: “Oh! Quanto amo a tua lei!”.
Quisera eu, Senhor, poder dizer de todo o meu coração estas sagradas escrituras: “É a minha meditação em todo o dia”.


Quisera eu, Senhor...
Que cada pensamento meu fosse um desígnio teu.
Que cada palavra minha fosse uma profecia tua.
Que cada ato meu fosse uma obra das tuas mãos.
Que cada sentimento meu fosse o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.

Quisera eu, Senhor...
Despertar do sono com a lembrança das tuas promessas.
Reclinar-me sobre a mesa cônscio de que nem só de pão viverá o homem.
Sonhar com aquelas histórias maravilhosas narradas nas páginas do Grande Livro.
Tornar ao pó com uma palavra tua nos lábios e ressuscitar dos mortos ao som da tua voz.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

O dia em que Deus chorou, e eu com Ele


Domingo passado foi um dia especial. Logo pela manhã fui lembrado pela igreja, à tarde pela avó da minha esposa e à noite pela minha sogra de que aquele era o meu dia: o Dia do Pastor. Disse que fui lembrado porque sempre me esqueço do Dia do Pastor. Vez por outra, esqueço-me até do dia do meu aniversário.

Entretanto, o dia de domingo foi especial não pelas homenagens, presentes e congratulações recebidos, mas pela operação do Espírito Santo no meio da sua igreja. Operação que passo a narrar, com as deficiências próprias da linguagem e as limitações próprias do meu ser.

Tudo começou com um choro contido e dolorido, precedido por uns minutos de silêncio...

Pela manhã, meu pastor chorou compulsivamente ao ler Jeremias 23:1-4, lembrando dos pecados dos pastores evangélicos brasileiros. Também foi debaixo de lágrimas que fez a leitura de 1 Coríntios 2.2, repetindo que "o pastor não deve buscar medalhas, mas pregar a Cristo e a este crucificado".

À noite, o ministro de música chorou ao ler Ezequiel 11.16,17, por razões que eu desconheço.

Mais tarde, uma velha e piedosa senhora, coroada de cabelos brancos e com feições santas, muito doente, apoiada sobre uma bengala, após ser carregada até uma cadeira diante da congregação, chorou ao dar testemunho da reconciliação de dois dos seus filhos, após longos e tenebrosos anos de separação.

Em seguida, um pastor americano, de passagem pelo Brasil, chorou ao lembrar que há 18 anos, "neste local", disse o pastor apontando para o chão, "debaixo de uma barraca, Deus colocou um sorriso nesta mulher", apontando para a velha senhora, "que nunca mais saiu". E completou: "Deus transformou a vida desta mulher". O referido pastor foi quem plantou a igreja. A velha senhora foi o primeiro fruto.

Não bastasse tudo isso, ao final do sermão, meu pastor, aquele que chorou sobre o livro de Jeremias, fez um apelo e inúmeras pessoas foram à frente, dentre elas muitas crianças. Todas em prantos. Chorou segunda vez o ministro de música, pois uma das crianças era seu filho caçula.

Quanto a mim, chorei com meu pastor, com o ministro de música, com a velha senhora, com o pastor americano, com as crianças e, uma vez mais, com o ministro de música. Também creio que Deus chorou. Chorou por causa da iniquidade dos pastores brasileiros. Chorou pelas razões que somente Ele e o ministro de música conhecem. Chorou pela reconciliação dramática dos filhos da velha senhora. Chorou pelo estabelecimento do Reino de Deus no bairro São Pedro. Por fim, chorou pelas crianças que compreenderam a mensagem simples do Evangelho.

De fato, domingo passado foi um dia muito especial. Louvado seja o Bom Pastor, todos os dias. Amém!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Flores pelo caminho

Tempos atrás, fui indagado sobre o que poderia ser descartado em minha vida. Após refletir sobre o assunto, cheguei a conclusão que melhor do que refletir sobre o que pode/deve ser descartado em minha vida é pensar no que pode/deve ser agregado, cultivado, em meu ser.

Tenho aprendido que devo agregar em meu ser simplicidade, alegria e humildade. Ainda há muitas flores pelo caminho. Cada qual com cores, perfumes e texturas diferentes. Cada qual com sua beleza. Umas cultivadas em solo árido; outras em solo fértil. Umas que afloram o ano todo; outras somente na primavera.

A caminhada cristã é uma jornada difícil. O cristão não deve carregar ouro, prata ou cobre em seus cintos. Nem alforje para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão. Assim nos ensinou o Grande Mestre. A vida cristã é mais uma vida de renúncia que de conquistas. Mais uma questão sobre o que deixar que sobre o que amealhar.

Tal afirmação parece contradizer o que foi dito no início. Se a vida cristã é uma vida de renúncia por que, então, é melhor pensar naquilo que deve ser agregado do que naquilo que deve ser descartado?

A resposta é simples: o cristão não deve carregar alforje, ou seja, tudo o que ele tem deve carregar nas mãos. Em outras palavras, para agregar precisa descartar. Para agregar humildade precisa lançar fora a soberba. Para agregar simplicidade precisa abrir mão da vaidade, e para agregar alegria precisa descartar o medo. É a lógica do Reino de Deus. Quero dizer, é assim que se apresenta para mim.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Ponto de Encontro

Corro ao portão,
Que esperança!
Correio já passou
E não deixou nada.
Segura essa coração.
Vamos ver se amanhã a coisa muda...
(Trecho da canção Ponto de Encontro de Zé Renato e Milton Nascimento).


ATENÇÃO: Se você veio buscar alguma correspondência e não encontrou nada, não se desespere. É que meus neurônios andam sobrecarregados com Direito Tributário. Logo, logo lhe escrevo.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Que estou fazendo se sou cristão?

Dias atrás, teclando com amigos num grupo de discussões, afirmei que o cristão deveria falar menos, ensinar menos (no sentido de transmitir valores através da palavra) e praticar (amar) mais. A minha fala ganhou apoio de um dos meus amigos e a discussão foi encerrada. Não para mim! Continuei matutando sobre o assunto... Dias depois o introduzi no culto doméstico semanal que celebro às quartas-feiras com minha esposa. Refletimos sobre o assunto à luz de Tiago 1.19-27:

"Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar [...] Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganado-vos a vós mesmos [...] A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo"
.

A religião verdadeira, portanto, segundo o apóstolo Tiago, consiste em visitar e guardar-se, ou seja, a ênfase está em fazer a coisa certa (ortopraxia) e não em crer nas coisas certas (ortodoxia). Disse ênfase porque só pratica a coisa certa quem crê nas coisas certas (com a mente ou coração, de forma racional ou intuitiva).

Nesse sentido, a religião falsa não seria a religião não-cristã (hinduísmo, budismo, Islã etc.), mas a religião não-praticante. Não que as religiões mencionadas sejam verdadeiras, como o cristiansimo nominal muitas vezes não o é. Entretanto, surge a indagação: um adepto de uma religião não-cristã ou mesmo uma pessoa sem religião que pratica a caridade e procura guardar-se do mal estaria praticando a verdadeira religião?

Seja qual for a resposta resolvi praticar mais e falar menos. Cheguei à conclusão de que, muitas vezes, por trás da afirmação da máxima cristã "devemos falar menos e praticar mais" esconde-se o pecado do orgulho e da omissão. Do orgulho, porque nos julgamos a nós mesmos praticantes da Palavra e a nossos interlocutores, ou a massa dos cristãos, não praticantes; e da omissão, porque aplacamos a nossa culpa repetindo, sem nenhum compromisso da vontade, a velha ladainha.

"Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando" (Tiago 4.17). Creio que eu sei o que devo fazer: amar ao próximo. Mas, resolvi, pela primeira vez, colocar isso em prática de maneira decisiva. Como posso amar ao próximo? Pedi sugestões a minha esposa (e peço aos leitores deste post) de como colocar em prática os ensinamentos de Jesus. Pensamos, então, em visitar os órfãos da falecida mencionada em meu primeiro post. Afinal, "a religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é [...] visitar os órfãos...". Se você tem outra sugestão concreta, objetiva, de como eu e você podemos praticar a verdadeira religião publique um comentário e mãos à obra.

"Que estou fazendo se sou cristão?", indaga o famoso hino cristão. Qual a resposta, segundo seu autor, para a fome, a pobreza, o analfabetismo e outros males que afligem nosso país? "Aos poderosos eu vou pregar, aos homens ricos vou proclamar que a injustiça é contra Deus e a vil miséria insulta os céus" (HCC 552).

O hino diz que "há criancinhas que vão morrer, há tantos velhos a padecer..." e nós devemos pregar e proclamar? Sejamos pregadores da justiça e proclamadores da verdade, sim, mas antes de tudo, façamos alguma coisa pelo próximo. Pelo amor de Deus!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O pior cego é aquele que não quer ver

Imaginem um pequeno vilarejo incrustado nas montanhas, em total escuridão. Sem nenhuma espécie de luz, natural ou artificial. Sem a luz do sol. Sem o brilho da lua ou das estrelas. Sem poste de iluminação nas ruas. Sem lâmpada nas casas. Sem luz de velas, fogueiras ou lanternas. Nada. Mergulhada nas mais densas trevas durantes anos, séculos, milênios...

Imaginem, outrossim, que num belo dia a luz do sol despontou no horizonte, entre as montanhas, iluminando toda aquela cidade, penetrando nas casas, nas ruas, nas vielas, nos becos.

Agora as pessoas podem ver umas as outras, andar nas ruas sem tropeçar em algum buraco, contemplar a beleza da criação.

É exatamente isso que o apóstolo Paulo quis comunicar quando declarou:

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tito 2.11-14).

No original grego a palavra “manifestou” é também usada para representar a aurora. Paulo está afirmando que a luz de Cristo despontou no horizonte da história como a luz do sol ilumina toda uma cidade.

A mesma idéia está presente no prólogo do evangelho de João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14) e no livro do profeta Isaias: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” (Is 9.2).

Apesar disso, muitos não querem enxergar. Tem receio de abrir os olhos. Passaram tanto tempo na escuridão que não suportam a luz. Outros preferem viver abaixo da superfície ou nas cavernas como animais. Outros, ainda, tentam encobrir o sol com uma peneira. Para uns e outros vale o velho ditado: "o pior cego é aquele que não quer ver".

terça-feira, 8 de maio de 2007

O cego de nascença

“Se é pecador, não sei; uma coisa sei: Eu era cego, e agora vejo” (Jo 9.25).

Pela declaração do (ex) cego aos fariseus infere-se que ele era totalmente desprovido de qualquer conhecimento intelectual (histórico, filosófico, teológico) acerca da pessoa de Jesus Cristo. Entretanto, nele haviam se manifestado as obras de Deus; e as obras de Deus falam por si mesmas.

As obras, sejam elas naturais, artísticas ou literárias, instigam a curiosidade das pessoas acerca do seu autor. Aquele que lê um bom livro procurará conhecer dados adicionais sobre o autor. Quem ouve uma bela canção não descansará enquanto não descobrir o dono da voz.

Da mesma forma, se as obras de Deus estiverem manifestas em nós, isso irá despertar nas pessoas a curiosidade e o desejo de conhecerem o Divino Autor. Foi o que sucedeu no episódio do cego de nascença. Todos queriam saber quem era o homem que o havia curado e onde ele se encontrava.

O cego de nascença teve um encontro pessoal com Jesus que mudou para sempre o curso da sua vida. Num piscar de olhos, literalmente, alguém que estava condenado às trevas, à mendicância, foi transportado para a luz e reintegrado à sociedade.

Sócrates, o famoso filósofo grego, dizia que a única coisa que sabia era que nada sabia. Eu, desconhecido teólogo brasileiro, digo que a única coisa que sei é que era cego e agora vejo.