Imaginem um pequeno vilarejo incrustado nas montanhas, em total escuridão. Sem nenhuma espécie de luz, natural ou artificial. Sem a luz do sol. Sem o brilho da lua ou das estrelas. Sem poste de iluminação nas ruas. Sem lâmpada nas casas. Sem luz de velas, fogueiras ou lanternas. Nada. Mergulhada nas mais densas trevas durantes anos, séculos, milênios... Imaginem, outrossim, que num belo dia a luz do sol despontou no horizonte, entre as montanhas, iluminando toda aquela cidade, penetrando nas casas, nas ruas, nas vielas, nos becos.
Agora as pessoas podem ver umas as outras, andar nas ruas sem tropeçar em algum buraco, contemplar a beleza da criação.
É exatamente isso que o apóstolo Paulo quis comunicar quando declarou:
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tito 2.11-14).
No original grego a palavra “manifestou” é também usada para representar a aurora. Paulo está afirmando que a luz de Cristo despontou no horizonte da história como a luz do sol ilumina toda uma cidade.
A mesma idéia está presente no prólogo do evangelho de João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14) e no livro do profeta Isaias: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” (Is 9.2).

Apesar disso, muitos não querem enxergar. Tem receio de abrir os olhos. Passaram tanto tempo na escuridão que não suportam a luz. Outros preferem viver abaixo da superfície ou nas cavernas como animais. Outros, ainda, tentam encobrir o sol com uma peneira. Para uns e outros vale o velho ditado: "o pior cego é aquele que não quer ver".